
Vocês já tentaram voltar a viver num lugar e colocá-lo em ordem, quando outra pessoa pensa o exato inverso?
Neste lugar tinha um monte de coisas, acumuladas em anos, por uma mãe pisciana?
Esta mesma mãe pisciana ficou sem a sua presença por muito tempo e agora que você tenta arrumar o que para ela, mais parecem seus filhos que: “sacolinhas de supermercado”, (seu local preferido para guardar tudo) então, ela resiste fortemente?
E ai, quando você põe discretamente uma delas no meio do lixo de sexta feira (quando o lixeiro passa quase de madrugada) ela sai correndo atrás do lixeiro, para saber o que tem dentro e diz: Espereeee por favor houve um engano?
Volta e fala para você:
- Não sei porque essa frescura, moramos na roça!
Então, vocês NÃO sabem do que estou falando!
Mas eu explico:
Tenho uma casa em Mairiporã (para quem não conhece, fica a 25 minutos de São Paulo capital) é quase um bairro de São Paulo, uma vez que muitos bairros, são muito mais distantes, do marco zero da cidade!
Mas, isso não vem ao caso, o que vem ao Benedetto, Sacramentado e Juramentado caso, é que esta casa ficou nas abençoadas mãos de minha adorada mãezinha (é mãezinha mesmo, tem 1,50 cm de altura), pois, esta
“baixinha”, como quase todas, é brava, que só!!! E não estou falando no sentido italiano, não, ela e’ do tipo que me olha dos baixos dos seus 1,50 (eu tenho 1,75) e me diz:
- Anastácia Hayne!
Pronto, já sei que vai cair o mundo!
- O QUE VOCÊ FEZ COM A SACOLINHA que estava lá no armário?
- Olhe, se você jogou fora, vai ter!
Não gosto de contrariá-la, mas gente, pelamordedeus, a qual, dos bilhões de sacolinhas ela se referia ??
Esta casa foi entregue a ela, toda arrumadinha, linda e perfeita.
Imaginem uma construção onde você verifica pessoalmente a obra, todos os finais de semana, quase para de viver, não sai mais com os amigos e tenta dar uma desculpa, quando ligam te convidando para algo, mas que todos eles já sabem o real motivo:
- Já sei, já sei Naná, você vai ver a obra em Mairiporã.
- Desculpe, fica pra próxima, ta?
Cansados da mesma ladainha, eles espaçam mais e mais os convites e finalmente quando te ligam, perguntam:
- E aeeeeee, como vai a obra?
Comecei a comprar os acabamentos assim que fizeram a fundação, pois queria tudo lindo, combinando e funcional. Então, nada mais de shoppings, roupas da moda, ou o último lançamento da Czarina.
Eu só pensava em tijolos!
Mentira pensava também em areia, cal, cimento, pedra, piso, conduite, etc.
O irresistível passou a ser o Lar Center e o D&D … ISSO SIM, impossível passar por ali e não comprar nada. Cedia sempre às tentações da Tock Stock, Arpège, Arte em vidro e tantas outras que não lembro mais o nome.
E assim, fui construindo o meu ‘”lar doce lar.”
Nesta época meus pais residiam em Sampa e eu também (em outra casa claro), divorciada e com meu filho, Bruno de 8 anos.
Um ano depois, a minha tão sonhada casa estava pronta e parecia uma casinha de bonecas, tudo novinho, arrumadinho e perfeito.
A sala de uma arquitetura contemporânea recebeu uma porta de correr, que pertenceu a um banco, e por isso e’ blindada, bastante ampla, abria-se para o gramado verdinho, no prumo e com vista de um lado para a represa de Mairiporã e do outro para as montanhas, onde coloquei uma mesa de madeira, de maneira que pudéssemos tomar o café da manhã, olhando para a bela represa.
A casa era pequena, 2 quartos, banheiro, sala, cozinha americana e lavanderia, mas absolutamente funcional e ainda, com uma área por construir de 900 m2. Acordar pela manhã, ao sons dos passarinhos, levar meu filho pra pescar no laguinho, fazer trilha nos finais de semana e respirar ar puro, era o que na época começavamos todos nós paulistanos, a buscar: “Qualidade de vida.” Então, estávamos no paraíso, eu e o Bruno!
Não fosse, a Rodovia Fernão Dias, que todos os dias me levava ao trabalho, nesta época eu era gerente de marketing, numa empresa de cestas de alimentos, que apesar de ficar na zona norte e ser razoavelmente perto, não me poupava o transtorno de ficar disputando lugar com os caminhões e os inconseqüentes motoristas, dos buracos que ninguém consertava e além de tudo era mão dupla. Hoje em dia, tem 4 pistas de ida e 4 de volta, com acostamento e quase sem buracos.
Mas naquele tempo, grande parte dos acidentes horríveis em estradas, acontecia onde?
Sim, nela mesma.
Era uma coisa, porque quando eu chegava a São Paulo tinha que ligar para avisar a todos que eu tinha chegado bem, primeiro para minha mãe, para que ela não ligasse em desespero para a empresa, depois para os amigos, depois para Mairiporã e assim eu chegava as 9 e começava a trabalhar só as 10. Quando eu voltava, fazia novamente as ligações para tranqüilizar a todos e dizer, ESTOU VIVA!
Depois de um ano e meio, me cansei, porque a tensão era muito grande e o tempo pequeno, as vezes que queria ir para a balada, fazia a loucura de:
Ir pela manhã, voltar à tardinha, brincar um pouco com o Bruno, jantar, tomar banho, me arrumar voltar para SP, dançar (sempre adorei) e voltar para Mairipa, as 3 ou 4 da manhã… Ufffa!!! Realmente com o tempo, mudamos e muito. Não me vejo fazendo isso hoje, nem por “100 e uma cocada” como diz um amigo.
Foi então que aluguei a casa e voltei com meu filho, para São Paulo.
Dois anos se passaram sem que eu, cobrasse o acordo feito com a inquilina, com quem acertei de fazer benfeitorias no terreno em troca do aluguel, como o muro de cerca viva, ampliar o gramado para o restante do terreno e uma horta. Doía-me o coração, não poder continuar morando aqui, então vinha pouco, para vistoriar as coisas.
Não sei se é normal, mas eu entrava na casa e tinha vontade de começar a mudar tudo de lugar, cada detalhe que ela colocava me incomodava, não tinha nada a ver com meu gosto, imaginem vocês que naquela porta linda de vidro a mulher colocou uma cortina de um pano estampado com flores gigantes de quase todas as cores!
Eu me repetia o caminho de ida todo: Calma Nana’, a casa neste momento não é mais sua, respeite. O que infelizmente, não me fazia deixar de sentir o incômodo.
Eu chegava e perguntava:
- E então Gugu, (se chamava Augusta) como estão as coisas?
- Ahhh, Nana’, ainda não deu para fazer muita coisa e blá blá blá….
E iniciava a sessão lamúrias!
Eu, tentando me poupar, olhava rapidamente e já confirmava que NADA havia sido feito, ia embora praguejando por todo o caminho de volta.
Como não tinha condições de pagar um caseiro, eu tentava me convencer de que era melhor isto a ter a casa sozinha, pois poderia ser depredada.
Não suportei mais quando cheguei um dia e vi, que ela havia trocado de carro.
Oras bolas, não pode comprar uns pinheirinhos pra cerca viva e troca de carro? Que tipo de idiota você é Nana’?
E foi o dia do BASTA!
- Gugu, quero a casa de volta, nosso acordo foi por um ano, passou-se dois e nada foi feito. Vou lhe dar um prazo de 2 meses para me devolver a casa, ok?
-Naná, por favor, não consigo me mudar assim tão rápido…
Começada a lamúria costumeira, fiquei com dó e ela ficou por mais 6 meses.
Continua…aguardem a Parte II