Não sei para quê agendam consultas nos Postos de Saúde.
A coisa se processa assim:
Você vai um dia muito cedo lá e ‘agendam’ para o dia tal, no horário tal. No dia tal e no horário tal, chega você crente e serelepe de que com o restante do dia vai poder fazer isto e aquilo, e vai programando seu dia. Qual o que, a consulta que te ‘agendaram’ para às 7 da manhã, só acontece ( se você der sorte ) lá pelo meio dia, pois “agendam” TODOS para o mesmo horário!
Com muito tempo para ler à espera das ‘zentas’ mil consultas que tenho ‘agendadas’, levei comigo meu bom companheiro de Postos de Saúde o livro. Desta vez estou lendo o Fernando Sabino em “O encontro Marcado”. Título sugestivo, aliás para alguém que está na sala de espera com mais duzentos outros neguinhos a reclamar de dor aqui dor ali. Só se fala de dores nestes “encontros”, quando muito uma receitinha básica da Ana Maria Braga é trocada com a companheira ao lado ( bem lado mesmo), já que as cadeiras te obrigam a quase dividir o espaço de pernas, tão grudadas são.
Sabendo de tudo isto a priori, hoje quando passei pela fila de comprovação de que você agendou e está lá, (sim ainda tem esta parte), procurei saber o óbvio , mas que eles fazem questão de esconder como se fosse um pecado mortal, qual era o número da minha senha-consulta…
Número “31″, me disse a mocinha simpática que deve se levantar às 4 da manhã, para estar no Posto às 6.
Ok, pensei comigo, vou ler o meu livro sossegada, lá fora aos raios do sol fraquinho e delicioso desta hora da manhã. Toda entretida, depois de uma meia hora da minha leitura ‘Sabiana’ (eu viajo de montão quando leio e esqueço tudo em volta), quando ouço gritarem:
“ANASTÁCIA MARCIA HAYNE SANTOS”
Dei um pulo, fazendo voar bolsa aberta com mil tranqueiras femininas dentro, jaqueta jeans, cigarreira que estava ao lado (sim, eu fumo e ali fora posso cometer este crime à vontade), mas mantive o livro agarrado numa mão e os óculos de leitura na outra, rs.
Não, não não.
Não era a minha vez assim tão rápido!
É que, como estive por lá ontem, não encontravam meu prontuário e já haviam me procurado por todo o Posto e na sala das cadeiras justas, sem sucesso. Então um funcionário com tendências à “Tenor Absoluto”, resolveu me chamar lá na rua, rs.